O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, foi internado nesta semana com arritmia cardíaca e vai passar por uma ablação — um procedimento que literalmente “apaga” os circuitos elétricos defeituosos de do coração.
A notícia reacende um alerta importante: arritmias são mais comuns do que você imagina, podem começar silenciosamente e, em alguns casos, representam risco real. Mas a boa notícia? A medicina avançou muito — e hoje há formas simples de detectar e tratar antes que o problema cresça.
O que é arritmia cardíaca (e por que ela importa)
Pense no coração como uma orquestra. Quando tudo funciona bem, cada batida acontece no tempo certo. A arritmia é quando essa sincronia se perde: o coração bate rápido demais (taquicardia), devagar demais (bradicardia) ou de forma irregular.
As mais comuns no dia a dia são:
Fibrilação atrial — o coração treme em vez de bater, aumentando em até 5 vezes o risco de AVC.
Taquicardia supraventricular — o coração dispara de repente, como se você tivesse corrido uma maratona parado.
Extrassístoles — aqueles “pulos” no peito que assustam, mas geralmente são benignos.
Sintomas que pedem atenção (e quando procurar ajuda)
Muita gente convive anos com arritmias sem saber. Outras sentem claramente que algo está errado.
Fique atento se sentir:
- Palpitações (sensação de que o coração falhou, acelerou ou bateu fora de hora)
- Tontura ou desmaio
- Falta de ar sem esforço
- Dor no peito ou fadiga desproporcional
Regra prática: se o sintoma é novo, frequente ou vem acompanhado de mal-estar intenso, procure um médico. Não espere “passar sozinho”.
Como detectamos arritmias hoje
Eletrocardiograma (ECG) — a fotografia do coração
É rápido, indolor e barato. Mostra o ritmo cardíaco naquele exato momento.
Aqui na Clínica do Pantanal, fazemos ECG no consultório — em 2 minutos você sai com o resultado.
O problema? Ele só captura alguns segundos. Se a arritmia é intermitente, pode não aparecer.
Holter 24 horas — o filme completo
É como colocar uma câmera no seu coração por um dia inteiro.
Você usa um aparelhinho pequeno que grava cada batida enquanto dorme, trabalha, se exercita.
Também disponível na nossa clínica, o Holter é essencial para flagrar arritmias que vêm e vão — aquelas que só aparecem à noite, ou durante o estresse.
Relógios inteligentes — a nova fronteira
Dispositivos como Apple Watch, Samsung Galaxy Watch e Fitbit já conseguem detectar fibrilação atrial com precisão surpreendente.
Estudos recentes publicados no JAMA e no NEJM mostram que esses gadgets identificam arritmias em pessoas assintomáticas — e muitas descobrem o problema antes de qualquer sintoma grave.
Não substitui o médico, claro. Mas funciona como um alarme preventivo valioso.
Tratamento: do remédio à ablação
A escolha depende do tipo e da gravidade da arritmia.
Medicamentos
Betabloqueadores, antiarrítmicos e anticoagulantes controlam os batimentos e previnem coágulos (como no caso da fibrilação atrial).
Cardioversão elétrica
Um “reset” no coração, feito com choque controlado. Usado quando o ritmo precisa voltar ao normal rapidamente.
Ablação por cateter — o que Caiado vai fazer
É o padrão-ouro para várias arritmias. Um cateter fino entra pela virilha, sobe até o coração e “queima” (com radiofrequência ou frio) os pontos que causam o curto-circuito elétrico.
Parece radical, mas é minimamente invasivo, feito com anestesia e, em muitos casos, resolve o problema de vez. A taxa de sucesso pode passar de 90%, dependendo do tipo de arritmia.
O que isso muda na sua vida (e no consultório)
Para você:
Se tem palpitações frequentes, não ignore. Peça um ECG. Se necessário, um Holter. E se usa smartwatch, preste atenção nos alertas — eles não mentem.
Para nós, médicos:
A tecnologia vestível está democratizando o diagnóstico precoce. Pacientes chegam com prints de alertas de fibrilação atrial — e isso salva vidas. Vale a pena incluir essas ferramentas na conversa clínica.
O coração de Caiado vai ganhar um ritmo novo. E o seu também pode — com atenção, prevenção e ciência de ponta ao alcance das mãos.
Porque quando o ritmo está certo, a vida flui melhor.
Informação de qualidade transforma cuidado — e cuidado transforma vidas.
Dr. Fernando Henrique Rocha Fontoura
CRM-MS 9599 | RQE 8822 (Medicina de Família e Comunidade)
Médico pela UNIRIO | Especialista em Medicina de Família e Comunidade e Clínica Medica
Pós-Graduação em Cardiologia – Hospital Albert Einstein/SP
Membro Titular SBCM | Membro Aspirante SBC
Clínica do Pantanal
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